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Carimbo: Norrmalmstorgssyndromet (síndrome de Norrmalmstorg) é o termo que Nils Bejerot, psiquiatra e consultor da polícia, usou diante da imprensa sueca em 1973.
Rota: do sueco Norrmalmstorgssyndromet pro inglês Stockholm syndrome, na imprensa internacional; do inglês pro português como síndrome de Estocolmo.
Ressalva: a data exata da primeira impressão do termo e a primeira ocorrência escrita em português não foram localizadas.
Nils Bejerot assessorava a polícia de Estocolmo durante o cerco. Ao ver os reféns defendendo os captores, explicou a reação aos jornalistas pelo lugar do crime: a praça Norrmalmstorg.
Bejerot era conhecido na Suécia pelas pesquisas sobre dependência de drogas e pela defesa de uma política dura contra o consumo, linha que o país adotou nas décadas seguintes.
Fora da Suécia, a palavra era quase impronunciável. A imprensa estrangeira trocou a praça pela cidade, e o rótulo que pegou foi Stockholm syndrome.
O caso que espalhou o termo
A expressão ganhou o mundo em 1974, com o sequestro de Patty Hearst, neta do magnata da imprensa William Randolph Hearst, pelo Exército Simbionês de Libertação, grupo armado da Califórnia. Dois meses depois, ela apareceu nas câmeras de segurança de um banco de São Francisco, de arma na mão, ajudando os sequestradores num assalto.
No julgamento, em 1976, a defesa alegou coação e citou a reação dos reféns suecos. O júri não aceitou, e Hearst foi condenada. O presidente Jimmy Carter comutou a pena em 1979.
Na mesma década, o psiquiatra americano Frank Ochberg, que assessorava o FBI e a Scotland Yard, ajudou a transformar o caso sueco em material de treino pra negociadores de reféns. O nome sueco entrou nos cursos de polícia dos Estados Unidos e da Europa.
A refém que contestou o rótulo
A crítica mais dura veio da própria Kristin Enmark. Em 2015, ela publicou na Suécia o livro Jag blev Norrmalmstorgssyndromet (eu virei a síndrome de Norrmalmstorg), em que conta que Bejerot nunca conversou com ela antes de dar o diagnóstico.
Enmark sustenta que confiar nos assaltantes foi uma escolha racional: a polícia ameaçava invadir, e os captores eram quem estava ao lado dela na sala. Pra ela, o rótulo serviu pra desqualificar as críticas que os reféns fizeram ao trabalho da polícia.
O termo sobreviveu à contestação. Uma praça de Estocolmo emprestou o nome à cidade inteira, e a cidade emprestou o nome a todo afeto que nasce do medo.
“Que lealdade sua começou como medo?”
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