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Carimbo: Mateus 27:24, no grego do Novo Testamento, enipsato tas cheiras (lavou as mãos), por volta dos anos 80 a 90.
Rota: do grego pro latim da Vulgata e dali pro português das primeiras Bíblias.
Ressalva: a primeira ocorrência escrita de lavar as mãos em português no sentido figurado não foi localizada.
Pôncio Pilatos foi prefeito da Judeia entre os anos 26 e 36, segundo a cronologia que os historiadores montam a partir do historiador judeu Flávio Josefo. É o romano daquele cargo sobre quem mais se escreveu na Antiguidade.
Por muito tempo, os céticos lembravam que o nome dele aparecia quase só em textos cristãos e em Josefo. Em 1961, uma equipe de arqueólogos italianos liderada por Antonio Frova encontrou em Cesareia uma pedra com a inscrição do nome e do cargo.
A pedra de Cesareia
A Pedra de Pilatos, como ficou conhecida, tinha sido reaproveitada como degrau num teatro. O texto latino, parcialmente apagado, cita um edifício dedicado ao imperador Tibério e dá a Pilatos o título de praefectus Iudaeae (prefeito da Judeia). Hoje está no Museu de Israel, em Jerusalém.
Os autores judeus da época pintam um governador duro. Fílon de Alexandria, filósofo que escreveu por volta do ano 41, acusa Pilatos de violência, execuções sem julgamento e desprezo pelos costumes locais. Josefo conta que ele levou à noite estandartes com a imagem do imperador pra dentro de Jerusalém e provocou um protesto de cinco dias.
A queda veio em 36. Pilatos mandou tropas contra uma multidão de samaritanos reunida no monte Gerizim, e o governador da Síria, Vitélio, o destituiu e mandou pra Roma prestar contas ao imperador.
O fim dele não é conhecido. Josefo para a história na viagem pra Roma, e nenhuma fonte da época diz o que aconteceu depois. O historiador cristão Eusébio de Cesareia, escrevendo no século IV, afirma que Pilatos tirou a própria vida, mas sem citar fonte, e os estudiosos tratam a versão como lenda.
As lendas foram muitas e contraditórias. Na Europa medieval, contavam que o corpo dele não afundava em rio nenhum; na Igreja Ortodoxa Etíope, Pilatos e a mulher são venerados como santos, por terem tentado salvar o acusado.
A presença mais duradoura dele está no Credo, a oração que milhões de cristãos recitam todo domingo: padeceu sob Pôncio Pilatos. É o único nome de autoridade da oração, preso pra sempre ao julgamento que ele quis largar na bacia.
“Qual decisão você deixou na bacia esperando que ninguém visse?”
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