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Joelmir Beting nasceu em Tambaú, no interior de São Paulo, em 1936, filho de família humilde. Antes do jornalismo, trabalhou na roça e como boia-fria (o trabalhador rural contratado por dia, que leva a marmita pro campo e come a comida fria).
Chegou ao jornalismo pela crônica esportiva. Em 1961 cobria futebol pro O Esporte, jornal de São Paulo dedicado só a esportes, e foi assim que estava no Maracanã naquele domingo, longe da própria cidade.
O gol de Pelé o tirou do papel de quem só descreve. Joelmir decidiu que o lance precisava de prova física e bancou a ideia: encomendou a placa de bronze, com o texto que registrava o gol mais bonito já marcado no estádio.
A placa foi aceita pela administração do Maracanã e fixada no estádio. Foi a primeira vez no Brasil que um gol ganhou monumento, e a notícia da homenagem se espalhou mais rápido que a do placar.
O texto do bronze não falava em gol de placa. A placa descrevia o lance e a data. Quem juntou as duas palavras foi a própria imprensa, nos dias seguintes, ao contar a história da homenagem.
Pelé, nascido Edson Arantes do Nascimento em Três Corações, Minas Gerais, em 1940, já era campeão do mundo pela Seleção desde a Copa da Suécia, em 1958. Mesmo assim, a placa virou parte da lenda dele, porque marcava um lance que ninguém mais podia rever.
Do lance à expressão
1. 5 de março de 1961: Pelé marca contra o Fluminense, no Maracanã, pelo Torneio Rio-São Paulo
2. Dias depois: Joelmir Beting manda fundir a placa de bronze e ela é fixada no estádio
3. Anos 1960: a imprensa esportiva passa a chamar todo gol excepcional de gol de placa
4. Décadas seguintes: a expressão sai do futebol e passa a elogiar qualquer feito bem executado
Joelmir não ficou no esporte. A partir dos anos 1970, virou o jornalista de economia mais conhecido do país, com coluna em jornal e comentário diário na televisão, explicando inflação e juros pra quem nunca tinha lido um balanço.
O homem que explicou a economia pro Brasil começou batizando um gol. |
Ele trabalhou até 2012, ano em que saiu de cena aos 75 anos. Em entrevistas ao longo da carreira, contava a história da placa com orgulho, como a reportagem que mais tinha durado.
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