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Expressão: fiel da balança
Sentido: quem decide a disputa
Origem: comércio e aferição de pesos
Época: sem data de estreia
A ressalva vem primeiro. Nenhum dicionário conhecido registra a data em que fiel da balança passou a nomear a pessoa que desempata. Sabe-se que fiel, como nome da agulha, vem do latim fidelis (digno de confiança), a mesma raiz de fé e fidelidade.
O uso figurado aparece com frequência na imprensa política brasileira do século XX, mas o primeiro registro não foi identificado. Cravar uma data seria inventar.
O que tem data
O cenário tem marcos claros. D. Manuel I reinou de 1495 a 1521 e reformou os pesos do reino. No Brasil, a aferição seguiu nas mãos das câmaras municipais durante a Colônia e boa parte do Império.
Em 1862, uma lei assinada por D. Pedro II adotou o sistema métrico decimal no Império. O arrátel, a arroba e o alqueire começaram a dar lugar ao quilo e ao litro, e a troca provocou revolta.
A revolta dos quilos
Entre 1874 e 1875, camponeses do interior da Paraíba, de Pernambuco, de Alagoas e do Rio Grande do Norte invadiram feiras e câmaras e quebraram os pesos e medidas novos. O movimento ganhou o nome de Quebra-Quilos.
Os revoltosos desconfiavam do padrão novo e das taxas vindas com ele. Para quem sempre comprou pela medida antiga, o carimbo do governo não garantia nada; parecia só mais um imposto. A revolta foi reprimida, e o sistema métrico ficou.
Três passos levaram o carimbo da câmara ao selo nacional:
1. Em 1862, a lei imperial adotou o metro e o quilo como padrão.
2. Em 1961, o Instituto Nacional de Pesos e Medidas assumiu a fiscalização em escala nacional.
3. Em 1973, o Inmetro herdou a tarefa e passou a lacrar balanças comerciais em todo o país.
O selo na balança de hoje
A marca do aferidor ainda existe, só mudou de forma. A balança do açougue e da padaria leva um selo do Inmetro com o ano da última verificação, e o órgão estadual conveniado confere o aparelho periodicamente.
O consumidor desconfiado pode olhar o selo, como o freguês lisboeta olhava a marca batida no bronze. Sem ele, a balança não pode ser usada no comércio.
A expressão guarda as duas partes da feira antiga: a agulha sem lado e o carimbo que responde pela medida. Chamar alguém de fiel da balança é dizer que todos vão olhar para aquela pessoa na hora de decidir.
“Em quem você confiaria para ser o fiel da balança numa briga da sua família?”
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