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O Farol da Barra, a torre de luz do forte de Santo Antônio da Barra, na entrada da Baía de Todos os Santos, em Salvador, é o protagonista desta história. Ele nasceu de um naufrágio.
Em maio de 1668, o galeão Santíssimo Sacramento, navio de guerra português que escoltava uma frota de comércio, bateu no banco de Santo Antônio, logo diante da ponta da Barra, e afundou com a maior parte de quem estava a bordo.
O banco era conhecido dos pilotos, mas de noite e com tempo ruim ficava invisível. A perda do galeão, um dos navios mais fortes da armada portuguesa da época, deixou claro que a capital da colônia precisava marcar a sua porta de entrada.
Salvador era então a sede do governo do Brasil e o porto mais movimentado do Atlântico Sul português. Por ali passavam o açúcar do Recôncavo, os navios da carreira da Índia e as frotas que levavam a produção da colônia para Lisboa.
A lanterna de 1698
Trinta anos depois do naufrágio, em 1698, o forte ganhou uma torre com lanterna no alto. A chama queimava óleo, e um guarda tinha a tarefa de manter o fogo aceso a noite inteira e limpar o vidro da fuligem.
A Marinha do Brasil, que administra o farol, registra a lanterna de 1698 como o primeiro farol das Américas. A informação aparece também na ficha do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tombou o forte em 1938.
A luz era fraca para os padrões de hoje. Não girava, não piscava e não tinha lente para concentrar o brilho. Funcionava porque era a única luz fixa naquela ponta, e o piloto aprendia a reconhecê-la.
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A luz decide quem chega e quem espera no mar.
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O mar fora do raio
Para o navegador, o alcance do farol desenhava um círculo no mar. Dentro dele, havia posição. Fora dele, havia estima, o cálculo da posição feito só com rumo, velocidade e tempo de viagem, sujeito a erro a cada hora.
O navio que chegava de noite e não via a lanterna tinha duas leituras possíveis: ainda estava longe, ou estava perto demais e a ponta escondia a luz. Errar a leitura era bater no banco.
Por esse motivo a lanterna mudou a rotina do porto. Os pilotos passaram a cronometrar a chegada para entrar com a luz à vista, e os navios que não a enxergavam ancoravam ao largo até amanhecer.
O guarda da lanterna de 1698 não deixou nome nos registros conhecidos. Os documentos guardam a torre, o óleo e as ordens do governo, não quem subia a escada toda noite.
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