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Um elefante branco, no português do Brasil, é o bem caro de manter e inútil para quem o possui. Vale para obra pública, imóvel, máquina parada e projeto de empresa que consome verba sem entregar resultado.
Elefante branco é o presente que cobra aluguel de quem ganha. |
Dois traços definem a expressão. O primeiro é o custo contínuo: não basta ter pago caro, a despesa segue todo mês. O segundo é a dificuldade de se livrar do bem, seja por orgulho, contrato ou falta de comprador.
Um carro de luxo usado todo dia não é elefante branco, por mais caro que seja. Vira elefante branco o carro guardado na garagem, pagando seguro e IPVA, que o dono não vende porque ninguém oferece o preço.
Onde a expressão aparece
O uso se espalha por quatro cenários:
• Na obra pública: o estádio, o teleférico ou o hospital pronto e sem uso
• Na família: a casa de praia que o avô deixou e ninguém frequenta
• Na empresa: o sistema caro comprado e abandonado pela equipe
• Na cozinha: a máquina de pão usada duas vezes e guardada no armário
Nos quatro casos há uma decisão de compra feita com entusiasmo e uma conta que chega depois, sem data para acabar. A expressão olha para o segundo momento, quando a euforia já passou.
Os estádios de 2014
A imprensa brasileira gastou a expressão como nunca depois da Copa do Mundo de 2014. A Arena da Amazônia, em Manaus, recebeu quatro jogos do torneio numa cidade sem clube na primeira divisão, e a manutenção seguiu a cargo do governo estadual.
A Arena Pantanal, em Cuiabá, e o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, ganharam o mesmo apelido nas manchetes. Em todos, o argumento era igual: arquibancada grande demais para o futebol local e gasto fixo pago pelo contribuinte.
Fora do futebol, o rótulo também pegou em vilas olímpicas, aeroportos regionais sem voo regular e museus erguidos sem orçamento para o acervo. Em cada caso, alguém precisa pagar a comida do bicho depois da festa, como pagava o guardião siamês.
Gramática e primos
A forma é fixa, sem hífen e no masculino: um elefante branco, dois elefantes brancos. Funciona quase sempre depois de verbo de ligação, como em a ponte virou um elefante branco, e raramente aparece como adjetivo.
Não confunda com o elefante na sala, decalque do inglês elephant in the room (assunto evidente que todos evitam mencionar). Um fala de gasto sem retorno; o outro, de silêncio constrangido. Os dois bichos chegaram ao português pelo inglês, por rotas diferentes.
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