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Dar com os burros n'água, no português do Brasil, quer dizer fracassar num empreendimento e perder o que se investiu nele. Vale para negócio que quebra, viagem que dá errado, reforma que estoura e acordo que desanda na última hora.
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Dar com os burros n'água é perder a carga inteira, não só a viagem.
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Três traços sustentam a expressão. Houve um plano, houve esforço e dinheiro posto nele, e o resultado foi a perda. Sem os três, a frase soa exagerada.
Errar o caminho de casa não é dar com os burros n'água. Abrir uma loja, gastar a reserva no estoque e fechar as portas em seis meses é. A diferença está no que afundou junto: tempo, crédito e capital.
Onde a expressão aparece
O uso se espalha por quatro cenários:
• No negócio: a lanchonete aberta com a rescisão que fecha antes do primeiro aniversário
• Na política: a candidatura lançada com festa que não chega ao segundo turno
• Na casa: a obra feita sem projeto que precisa ser derrubada e refeita
• No futebol: o técnico contratado como salvador e demitido antes do returno
Nos quatro casos, a pessoa entrou confiante e saiu mais pobre do que entrou. A expressão aponta para o momento em que a perda fica visível, quando já não há como voltar à margem de partida.
Conjugação e grafia
O verbo flexiona livremente: deu com os burros n'água, demos com os burros n'água, vai dar com os burros n'água. O resto fica fixo, sempre no plural e sempre com burros, mesmo que a tropa original fosse quase toda de mulas.
A grafia n'água junta a preposição em, o artigo a e o substantivo água, com apóstrofo marcando a vogal engolida. A forma por extenso, dar com os burros na água, também é correta e aparece em textos mais formais.
Burro, no falar dos tropeiros, servia para o animal de carga em geral, macho ou fêmea, jumento ou mula. A palavra ficou na frase porque era a mais curta e a mais ouvida no pouso, o acampamento onde a tropa dormia.
Os primos da frase
O português tem outras imagens de naufrágio para o mesmo fracasso. Ir por água abaixo fala do plano levado pela correnteza. Afundar o barco pede um barco que nenhuma tropa tinha.
Bater na trave é outra família: quase deu certo, faltou pouco. Dar com os burros n'água não admite quase. A carga foi para o fundo do rio, e o tropeiro voltou de mãos vazias.
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