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A faixa que deu nome à fila existiu de fato. O Tratado de Versalhes, assinado em 1919 na França pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial, entregou à Polônia renascida uma tira de território ao longo do baixo Vístula, até o litoral do mar Báltico.
A promessa vinha de antes. Em 1918, o presidente americano Woodrow Wilson apresentou ao Congresso dos Estados Unidos os Catorze Pontos, o plano dele pra paz, e o décimo terceiro tratava da Polônia:
“Um Estado polonês independente deve ser erguido, e a ele deve ser assegurado acesso livre e seguro ao mar.”
Um país sem porto
O acesso ao mar tinha motivo econômico. A Polônia exportava carvão e grãos, e sem porto próprio dependia da boa vontade alemã pra embarcar a produção. A terra escolhida tinha maioria polonesa no campo e uma minoria alemã forte nas cidades.
O porto natural da região era Danzig (Gdańsk, em polonês), cidade de maioria alemã. Os diplomatas não a deram a nenhum dos dois lados: Danzig virou Cidade Livre, sob proteção da Liga das Nações (a organização criada depois da guerra pra arbitrar conflitos entre países).
Sem controle de Danzig, a Polônia construiu o próprio porto. Gdynia era um vilarejo de pescadores no começo dos anos 1920 e, em pouco mais de uma década, virou um dos portos mais movimentados do Báltico.
A Polônia ganhou o mar, e a Alemanha ganhou uma ferida no mapa. |
Os trens de portas fechadas
A Prússia Oriental ficou ilhada. Pra ligar Berlim a Königsberg, a Alemanha negociou com a Polônia os trens de trânsito: composições que cruzavam o corredor sem paradas, com passageiros proibidos de descer, sob vigilância polonesa.
Os alemães chamavam a faixa de Polnischer Korridor (corredor polonês), e o nome carregava rancor. Na propaganda da República de Weimar (o regime alemão entre 1919 e 1933) e depois na nazista, o corredor era a prova da humilhação de Versalhes.
Em 1938 e 1939, Adolf Hitler exigiu a devolução de Danzig e uma estrada e uma ferrovia alemãs atravessando o corredor, fora da lei polonesa. A Polônia recusou.
A Grã-Bretanha e a França tinham dado garantias à Polônia em março de 1939: se o país fosse atacado, as duas entrariam na guerra. Hitler apostou que o aviso era blefe.
Na madrugada de 1º de setembro de 1939, o encouraçado alemão Schleswig-Holstein abriu fogo contra o depósito militar polonês de Westerplatte, em Danzig, e a Segunda Guerra começou.
O corredor sumiu com a guerra. Em 1945, as fronteiras foram redesenhadas, a Prússia Oriental foi dividida entre Polônia e União Soviética, e a faixa deixou de existir porque a Polônia passou a ter centenas de quilômetros de litoral.
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