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A política do café com leite foi o arranjo entre as elites de São Paulo e de Minas Gerais para controlar a Presidência da República entre 1894 e 1930. Os dois estados mais ricos e mais populosos da época combinavam o candidato oficial, e a máquina eleitoral dos governadores garantia a vitória.
São Paulo entrava com o café, principal produto de exportação do país. Minas plantava café também, mas era conhecida pela pecuária leiteira e, acima de tudo, pelo maior eleitorado da federação. O apelido juntou os dois produtos na mesma xícara.
A engrenagem dos governadores
O sistema ganhou forma no governo do paulista Campos Sales (1898 a 1902), com a chamada política dos governadores. O presidente apoiava os grupos que mandavam em cada estado; em troca, os governadores entregavam bancadas fiéis no Congresso.
Uma comissão da Câmara, a Comissão de Verificação de Poderes, decidia quais deputados eleitos podiam assumir. Opositores vencedores eram barrados, num expediente que a imprensa apelidou de degola. Assim o governo nunca enfrentava maioria hostil.
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O café com leite era menos um rodízio fixo e mais um acordo renegociado a cada eleição.
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Os presidentes da conta
• Prudente de Moraes (SP): 1894 a 1898
• Campos Sales (SP): 1898 a 1902
• Rodrigues Alves (SP): 1902 a 1906
• Afonso Pena (MG): 1906 a 1909
• Venceslau Brás (MG): 1914 a 1918
• Artur Bernardes (MG): 1922 a 1926
• Washington Luís (SP): 1926 a 1930
Washington Luís nascera em Macaé, no estado do Rio de Janeiro, mas fez toda a carreira política em São Paulo, onde foi prefeito da capital e governador. Daí entrar na conta paulista.
A lista tem buracos. O fluminense Nilo Peçanha completou o mandato de Afonso Pena, que adoeceu e deixou o cargo vago em 1909. O gaúcho Hermes da Fonseca governou de 1910 a 1914, e o paraibano Epitácio Pessoa, de 1919 a 1922.
O caso de 1918 mostra a fragilidade do arranjo. Rodrigues Alves foi eleito para um segundo mandato, adoeceu na epidemia de gripe espanhola e não tomou posse. O vice mineiro Delfim Moreira assumiu até a nova eleição, vencida por Epitácio Pessoa.
O café no centro
O acordo também cuidava do bolso. Em 1906, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro assinaram o Convênio de Taubaté, pelo qual o governo compraria o café excedente para segurar o preço no mercado internacional. A defesa do café virou política de Estado, paga com empréstimos estrangeiros.
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