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O caso começou no inverno de 1692, na casa do reverendo Samuel Parris, pastor de Salem Village, a aldeia rural vizinha do porto de Salem. A filha dele, Betty Parris, de 9 anos, e a sobrinha, Abigail Williams, de 11, passaram a ter crises: gritavam, se contorciam e se escondiam debaixo dos móveis.
O médico da aldeia, William Griggs, não achou causa natural e falou em mão do diabo. Pressionadas por adultos, as meninas apontaram três mulheres: Tituba, escravizada na casa de Parris, Sarah Good, mendiga, e Sarah Osborne, viúva que faltava aos cultos.
A confissão que acendeu o resto
Tituba confessou. Falou de um homem alto vindo de Boston, de um livro assinado com sangue e de outras bruxas na região, sem dizer quantas. A confissão salvou a vida dela e condenou a aldeia: se havia outras, alguém precisava achá-las.
As acusações se espalharam pelas cidades vizinhas. Em maio, o governador William Phips criou um tribunal especial, a Court of Oyer and Terminer (corte para ouvir e decidir, em francês jurídico antigo), presidida pelo vice-governador William Stoughton.
A prova sem contestação
O tribunal aceitou a prova espectral (o relato de quem dizia ver o espírito do réu atacando alguém). O acusado podia estar em casa, diante de testemunhas, e mesmo assim ser condenado: bastava uma moça jurar que viu o espectro dele no quarto.
Em Salem, confessar salvava a vida e negar levava à forca. |
Quem confessava e entregava nomes era poupado. Rebecca Nurse, 71 anos, membro respeitado da igreja, chegou a ser absolvida; o júri voltou atrás depois de gritaria na sala, e ela foi enforcada em 19 de julho.
Giles Corey, lavrador com mais de 80 anos, recusou-se a responder ao tribunal. Foi esmagado sob pedras por dois dias, em setembro, até perder a vida, sem aceitar o julgamento. Ele não está entre os dezenove enforcados, e pelo menos cinco presos morreram na cadeia.
O fim do tribunal
Em outubro, o pastor Increase Mather, presidente de Harvard, publicou um texto contra a prova espectral:
“Seria melhor que dez bruxas suspeitas escapassem do que condenar um inocente.” Increase Mather, Cases of Conscience Concerning Evil Spirits (casos de consciência sobre espíritos malignos), 1692.
Phips dissolveu o tribunal no fim de outubro. Em 1697, o juiz Samuel Sewall pediu perdão em público, numa igreja de Boston. Em 1711, Massachusetts anulou condenações e pagou indenização a famílias. A última ré só foi inocentada em 2022: Elizabeth Johnson Jr., por iniciativa de uma turma escolar de North Andover.
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