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Expressão: abrir alas
Sentido: dar passagem
Origem: marcha de carnaval
Obra: Ó Abre Alas
Ano: 1899
Autora: Chiquinha Gonzaga
Cordão: Rosa de Ouro, Andaraí
A marcha deu à ordem data e endereço, mas a palavra ala chegou ao português muito antes do carnaval.
A ala antes do carnaval
Ala vem do latim ala, que quer dizer asa. Os romanos chamavam de alae (asas, no plural latino) as tropas postas nos lados do exército, à direita e à esquerda do centro, como as asas de um pássaro.
Em português, ala virou fileira, de soldados ou de qualquer gente em linha, e também o lado de um prédio, como a ala de um hospital. O dicionário Infopédia, da Porto Editora, de Portugal, registra abrir alas como formar fileiras para deixar alguém passar.
O registro português mostra que a locução (o grupo de palavras que funciona como uma só) não ficou presa ao carnaval carioca. O que a marcha de 1899 fez no Brasil foi tirar a ordem do cortejo solene e entregar ao folião, que a canta rindo.
O que o registro não alcança
O texto mais antigo com abrir alas escrito, anterior à marcha, segue sem carimbo. Os dicionários registram ala como fileira, mas nenhum deles aponta a frase pioneira com a locução inteira, e por esse motivo a origem anterior a 1899 fica sem documento com data e autor.
O que tem data, autora e endereço é a canção do Andaraí. Foi ela que fixou abrir alas no repertório brasileiro, e é dela que vem o abre-alas da avenida.
Da rua à avenida
As escolas de samba, que começaram no Rio em 1928 com a Deixa Falar, do bairro do Estácio, herdaram do cordão o desfile em fila e a vontade de passar primeiro.
Hoje cada escola se divide em alas, os grupos de desfilantes com a mesma fantasia, como a ala das baianas. O desfile inteiro é uma sequência de fileiras pedindo passagem diante do público.
A fama de Chiquinha seguiu crescendo nos palcos. Em 1914, a primeira-dama Nair de Teffé tocou ao violão o Corta-Jaca, um maxixe (dança de salão carioca, de passo agarrado) de Chiquinha, num sarau no Palácio do Catete, e o senador Rui Barbosa criticou a escolha no Senado, por achar o maxixe vulgar demais para o palácio.
Em 1917, ela ajudou a fundar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, a SBAT, para cobrar dos teatros o direito autoral das obras encenadas. Saiu de cena aos 87 anos, em 28 de fevereiro de 1935, poucos dias antes do carnaval.
Em 2012, a Lei 12.624 transformou o aniversário dela, 17 de outubro, no Dia Nacional da Música Popular Brasileira.
O Rosa de Ouro pediu passagem numa rua estreita do Andaraí. O Brasil guardou o pedido e o canta toda vez que precisa atravessar uma multidão.
“Para quem você abriria alas hoje, se a rua inteira parasse para ouvir?”
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